quinta-feira, 28 de junho de 2012

Imigração Italiana em Minas Gerais - L'immigrazione italiana in Minas Gerais

Imigração italiana em Minas Gerais

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Navio com italianos no Porto de Santos (1907).
O estado de Minas Gerais foi um dos maiores receptores de imigrantes italianos no Brasil. De fato, apenas São Paulo e Rio Grande do Sul receberam cifras maiores.[1]
População italiana em Minas Gerais[2]
AnoNúmero
192042.943
194018.819
195011.704
19705.227

[editar]Histórico

A imigração italiana para Minas Gerais está inserida no contexto que, a partir de finais doséculo XIX, ocasionou no movimento migratório de milhares de pessoas para o Brasil, sobretudo dentro da região Centro-Sul do País. No caso da vinda de italianos, o fenômeno está intimamente ligado ao fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queirós, de 1850) e à abolição da escravatura (Lei Áurea, de 1888). Desde meados do século XIX, com a proibição da entrada de novos cativos do Continente Africano, a carência de mão-de-obra que passou a se instalar no País fermentou o incentivo à vinda de um número cada vez maior de imigrantes europeus. Além disso, havia a fermentação de um plano, influenciado pelo racismo que pairava entre a elite nacional, de "branquear" o Brasil trazendo imigrantes da Europa.[3]
Itália passava por grandes dificuldades sociais: miséria e desemprego, um processo industrial que acarretou na marginalização do trabalho e, sobretudo, crise no campo pela superpopulação e falta de terras. Logo após a Unificação Italiana de 1871, o país entrou em um grandioso processo migratório. Aqueles que tiveram o Brasil como destino (cerca de 1,5 milhão, no decorrer de setenta anos) foram encaminhados, em um primeiro momento, à Região Sul em um plano de colonização arquitetado pelo Império do Brasil. Em uma segunda e mais importante etapa, rumaram para os estados de São Paulo e de Minas Gerais para substituir os ex-escravos nas colheitas decafé.[4][5]
Os italianos foram o principal grupo de imigrantes a entrar no Brasil no final do século XIX. Segundo uma estimativa, no ano de 1900 viviam no Brasil 540 mil italianos, ou seja, 3,1% da população do País era nascida na Itália. Para o ano de 1902, o número de italianos teria saltado para 600 mil. O censo nacional de 1920 contabilizou 558.405 italianos (52% dos estrangeiros no Brasil, 71% concentrados no estado de São Paulo). O censo não contabilizou os filhos, netos e descendentes de italianos, pois qualquer pessoa nascida no Brasil era contada como brasileiro, independente de ser filho de estrangeiros.[6] O censo de 1940 inovou ao perguntar aos brasileiros se eles eram filhos de estrangeiros. Neste censo, 1.260.931 brasileiros disseram ser filhos de pai italiano, enquanto que 1.069.862 disseram ser filhos de mãe italiana.[7] Mas estes dados se mostram limitados, pois os netos, bisnetos e outros descendentes de estrangeiros não tiveram a sua origem familiar indagada, apenas os filhos.

[editar]Italianos em Minas Gerais

[editar]Antecedentes

província mineira era a mais populosa do Brasil e, supostamente, teria população suficiente para substituir os ex-escravos. De fato, a Província de Minas Gerais não sofreu grandes consequências com o processo de abolição da escravatura, pois contava com uma população enorme e já em 1887, às vésperas da Abolição, ainda contava com a presença de 191.952 escravos.[8][9] Pesquisas feitas em áreas cafeeiras mostram que os ex-escravos não abandonaram as fazendas após a abolição e não foram completamente substituídos pelos imigrantes europeus. Muitas vezes continuavam a trabalhar nas mesmas fazendas ou se deslocavam para outras. As fazendas de café de São Carlos, interior de São Paulo, apesar do nítido predomínio de trabalhadores italianos, continuavam com número expressivo de trabalhadores brasileiros, incluindo negros e mulatos. Porém, é notório que os trabalhadores nacionais, em especial os negros e mulatos, após a abolição, sofreram preconceito por parte dos fazendeiros, que muitas vezes preferiam contratar imigrantes europeus do que os trabalhadores nacionais, associados à indolência e à preguiça. A promoção da imigração de europeus para o Brasil, além de ser um fator de atração de mão-de-obra, também estava tingido de elementos racistas, pois o trabalhador nacional era visto como inferior ao europeu.[10] Em 1892, o senador mineiro Melo Franco afirmou:[11]
O futuro de Minas só depende do aumento da população e de braços para o trabalho; e para a aquisição de
braços é que é preciso favorecer a introdução de colonos de raça europeia
Em decorrência desse tipo de mentalidade, Minas Gerais começa a receber imigrantes vindos da Itália sobretudo após 1888 (ano da abolição escravocrata).

[editar]Os contratos

Oficialmente, a imigração subvencionada em Minas teve início em 1867 e durou até 1879. Em decorrência dos pífios resultados, foi abandonada e retomada na década de 1880 com a edição de várias leis e regulamentos. Para isso foi criado o Serviço de Imigração e Colonização, foi construída a Hospedaria de Imigrantes em Juiz de Fora e foi expedido o Regulamento 108, que criava a Inspetoria-Geral de Imigração em Juiz de Fora e estabelecia normas para o funcionamento da hospedaria e para a criação de núcleos coloniais.[12]
No dia 25 de maio de 1888, o governo mineiro firmou um contrato com a Associação Promotora de Imigração, sociedade particular formada por cafeicultores e empresários industriais da Zona da Mata, que se comprometia a trazer 30 mil imigrantes para Minas. Ficou acertado que a Associação traria, no primeiro ano (1888), oito mil imigrantes e, nos anos subsequentes (1889 e 1890), outros vinte e dois mil. Ademais, a Lei Provincial nº 3598, de 29 de agosto de 1888, autorizou a celebração de um contrato com Joaquim Machado Fagundes de Mello e Manoel Caetano de S. Lara para que trouxessem 25 mil imigrantes. A vinda de tantos imigrantes nesse curto período de tempo levou o estado a edificar a Hospedaria Horta Barbosa no município de Juiz de Fora, que servia para hospedar os imigrantes em trânsito.[12]
Os imigrantes dificilmente vinham espontaneamente para o estado, daí a necessidade da imigração subvencionada. Como exemplo, no ano de 1896 entraram 6.631 imigrantes, dos quais 6.376 foram subvencionados, ou seja, tiveram sua passagem de navio paga pelo governo. A predominância dos italianos já preocupava o governo, que pedia uma maior diversificação das nacionalidades. Os italianos que se dispunham a imigrar para Minas tinham que responder a uma relação de declarações, que visavam comprovar se tinham realmente a intenção de serem agricultores, o alvo da política imigratória. O governo se preocupava em manter o imigrante no estado, evitando que ele fosse seduzido a ir para outros lugares, como denúncias mostravam que estava acontecendo na própria Hospedaria. O estado estava gastando dinheiro subsidiando a passagem dos imigrantes e queria algo em troca. Portanto, se preocupava em encaminhar o imigrante para uma ocupação, caso contrário ele apenas serveria para engrossar a população de pobres nas vilas e cidades.[12]
O que as autoridades mineiras temiam era gastar dinheiro trazendo imigrantes que acabariam se entregando à mendicância. Em 1897, o Jornal do Comércio relatou um fato que ilustrava esse temor: a polícia foi chamada após uma briga de mendigos italianos causada pela divisão da esmola. A polícia se deparou com quarenta homens, mulheres e crianças italianos que dividiam a mesma casa, em Juiz de Fora, vivendo em situação precária. Para levar os indivíduos à delegacia, o subdelegado prometeu dar pão a todos, o que realmente fez. Essa cena degradante contrastava com outro relato do mesmo jornal, do mês de junho, sobre um grupo de italianos que trabalhava numa propriedade agrícola: "Vimos gente bela e forte, verdadeiros colonos, em sua maioria da província de Ferrara, onde a agricultura está mais adiantada, e os camponeses são sóbrios e robustos". Estes dois relatos tão diferentes mostram a diversidade das situações vividas pelos imigrantes italianos em Minas Gerais.[12]

[editar]Os núcleos coloniais

As colônias agrícolas formadas por italianos não tiveram grande relevância no contexto imigratório de Minas Gerais, ao contrário do que ocorreu nos estados sulinos. Em 1898, a colônia de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, contava, sozinha, com a expressiva população de 25 mil pessoas, quase todos italianos.[13] Por outro lado, em 1900, em todo o estado de Minas Gerais as colônias abrigavam apenas 2.882 pessoas. Os núcleos coloniais eram áreas agrícolas nas quais os imigrantes viviam como pequenos proprietários. Esses núcleos apenas prosperaram nas regiões onde não havia plantações de café, como nos estados do Sul e mesmo no vizinho estado do Espírito Santo. Nas regiões cafeeiras, como São Paulo e Minas, as terras disponíveis à colonização eram marginais e escassas e o fluxo migratório era preferencialmente destinado às plantações de café, uma vez que os cafeicultores, que detinham grande poder político e econômico na República Velha, faziam pressão para que o governo fornecesse grande número de trabalhadores para as suas propriedades.[13]
Em 1894, existiam quatro núcleos coloniais mantidos pelo estado em Minas, nos quais viviam 1.920 indivíduos, sendo 1.360 estrangeiros, além de um núcleo particular, o Ferreira Alves, em São João Nepomuceno, que contava com 250 pessoas. A Lei nº 150 de 1896 autorizou a criação de seis novos núcleos, o que permitiu a demarcação de lotes no subúrbio da capital. As colônias visavam a fixação do imigrante ao solo e também, em Belo Horizonte, visavam dar um destino final para a parcela da mão de obra italiana que foi atraída para construir a capital, no período de 1895-1897. Em 1900, os núcleos estavam "em franca prosperidade", e abarcavam uma população de 2.882 indivíduos. Em 1902, existiam oito núcleos coloniais no estado, sendo cinco em Belo Horizonte.[12]
A partir do final do século XIX a corrente imigratória italiana no estado, que antes ia maciçamente para as fazendas de café, passou a ser desviada para os núcleos coloniais. Em 1912 o número de colônias em Minas havia crescido para doze, nas quais viviam 4.725 indivíduos. Ademais, havia dois núcleos federais com 1.487 pessoas, totalizando 6.612 colonos. Nesse ano, o governo mineiro anunciou que havia feito um contrato visando a vinda de 4 mil famílias de agricultores, de diferentes nacionalidades europeias.[12]
As colônias em Minas não eram formadas apenas por estrangeiros, sendo bastante significativa a presença de brasileiros nelas. Embora, em alguns casos, houvesse a preponderância numérica de imigrantes, nunca houve a formação de colônias fechadas, pois nenhuma era constituída exclusivamente por estrangeiros.[12]
Em 1898, existiam quatro núcleos coloniais povoados por italianos em Minas Gerais mantidos pelo Estado: Rodrigo Silva, nas proximidades de Barbacena; Maria Custódia, no município de Sabará; Barreiros, nas proximidades de Belo Horizonte; e São João del-Rei. Estas colônias na capital mineira deram origem, mais tarde, a bairros como Carlos PratesSanta TerezaBarro Preto e Savassi. Entre 1894 e 1897, Minas recebeu 61.259 imigrantes, dos quais cinquenta mil eram italianos. [14] Muitos desses imigrantes, após chegarem ao Brasil, eram encaminhados para a Hospedaria Horta Barbosa, hospedaria de imigrantes em Juiz de Fora, onde aguardavam uma proposta de trabalho. Hoje no local se localiza o Segundo Batalhão da Polícia Militar.

[editar]Em Belo Horizonte

A presença de italianos em Belo Horizonte remonta ao início da construção da capital. O engenheiro chefe da Comissão Construtora da Nova Capital, Francisco Bicalho, juntamente com o governo do estado, impulsionou a vinda de imigrantes para Belo Horizonte, a partir de 1895. A construção da cidade demandou um exército de operários para a edificação da infraestrutura e dos edifícios públicos e a imigração foi o recurso utilizado por Bicalho para sanar o problema da mão de obra. Uma hospedaria de imigrantes foi erguida às margens do ribeirão Arrudas para receber os trabalhadores. Entre janeiro de 1896 e maio de 1897, passaram pela hospedaria 1.543 indivíduos. Os imigrantes vinham diretamente da Itália ou eram aliciados na Hospedaria Horta Barbosa, de Juiz de Fora.[12]
A imigração italiana para a capital inicia-se com a atração de operários italianos para a sua construção e, depois, continua com a formação da zona colonial composta por cinco colônias ao redor da cidade. Essas colônias formavam o "cinturão verde" para o abastecimento do município, como previsto na Comissão Construtora da Nova Capital. As colônias serviam como forma de povoamento do entorno da capital, como solução para o seu abastecimento e como forma de diversificação da economia. A primeira colônia, Barreiro, foi criada em 1895, mas não vingou e foi abolida em 1899. Outras duas colônias foram criadas em 1896 e implantadas em 1898, sendo Carlos Prates e Córrego da Mata (depois denominada Américo Werneck). As outras três foram criadas em 1899, sendo Afonso Pena, Bias Fortes e Adalberto Ferraz.[12]
A população da zona colonial, que em 1900 contava com 1.137 pessoas, entre brasileiros e imigrantes (sobretudo italianos), se reduziu pela metade em 1904 (625 pessoas), voltando a crescer e atingindo a população de 1.162 indivíduos em 1910. Formavam uma parte significativa da população de Belo Horizonte, haja vista que em 1900 viviam na capital 13 mil pessoas, 17 mil em 1905 e 40 mil em 1912. Assim, a porcentagem da população da zona colonial na capital variou de 8% de todos os habitantes da cidade, em 1900, a 4%, em 1905. Os italianos sempre estiveram como o grupo imigrante mais numeroso em Belo Horizonte. Em 1905, 75% dos estrangeiros na cidade eram dessa nacionalidade e, em 1920, 61%. Portugueses e espanhóis vinham a seguir. É relevante destacar que a nacionalidade mais presente nas colônias foi a brasileira: em 1903, os nacionais compunham 47,5% dos habitantes da zona colonial e, em 1910, 45%. Em seguir, vinham os italianos: 37,2% em 1903 e 39,4% em 1910.[12]
Em 1905, 13,8% da população de Belo Horizonte era composta por estrangeiros, sendo que 4% da população total do município se encontrava na zona colonial. Isso mostra que grande parte da população imigrante da capital vivia fora das colônias. A partir dessa data, a população imigrante passou a declinar, pois o fluxo de estrangeiros em Minas foi curto e menos significativo que em outros estados brasileiros. Assim, em 1920, os imigrantes já haviam se reduzido para 8,1% dos habitantes da capital, num total de 4,5 mil indivíduos.[12]

[editar]Fazendas de café

Dos italianos que entraram em Minas em 1895 e 1897-1901, 71,7% se dirigiram para as fazendas de café, 12,4% para os centros urbanos, 1,6% para os núcleos coloniais, de 13,5% não se soube o paradeiro e 0,8% faleceu nas hospedarias. Apesar do amplo predomínio do destino rural desses imigrantes, em pouco tempo a tendência foi se invertendo. A situação nas fazendas de café mineiras eram árduas, pois predominava o sistema de parceria com o dono das terras e, muitas vezes, os italianos se viam obrigados a vender para o próprio fazendeiro sua parcela da colheita, que lhes pagava preço inferior ao de mercado. Também, a produção cafeeira não era constante, pois variava de preço e dependia da demanda internacional e era dificilmente substituível por outros produtos agrícolas. Desta forma, muitos dos italianos abandonavam Minas Gerais após um período nas fazendas, muitos deles voltavam para a Itália ou se deslocavam para o Rio de Janeiro ou para São Paulo. Entre aqueles que não abandonaram o estado, muitos se deslocavam para os centros urbanos, pois em 1913 estima-se que 30% dos italianos em Minas já habitavam zonas urbanas, exercendo atividades predominantemente comerciais (gêneros alimentícios, tecidos) ou como operários na indústria, ou no artesanato e construção civil.
Para o ano de 1896, estima-se que viviam 25 mil italianos no estado de Minas Gerais. Este número salta para 55 mil em 1900, caindo para 50 mil em 1910. O censo de 1920 contabilizou 42.843 italianos, caindo para 18.819 no censo de 1940.
Entrada de italianos no Brasil por períodos [15]
Período1884-18931894-19031904-19131914-19231924-19331934-19441945-19491950-19541955-1959Total
Quantidade510.533537.784196.52186.32070.177N/D15.31259.78531.2631.507.695
Entrada de italianos em Minas Gerais [6]
18941895189618971898189919001901
4.4106.42218.99917.3032.1116502141
A partir de 1887, por pressão dos fazendeiros, o governo mineiro passa a incentivar a imigração italiana devido à questão da mão-de-obra. O estado bancava a passagem dos imigrantes de navio, mas após a chegada ao Brasil eles tinham que reembolsar dois terços da passagem e os próprios fazendeiros eram movidos a contribuir. Essa situação era pouco atrativa para os imigrantes e Minas não conseguia concorrer com o vizinho estado de São Paulo, que dispendia grande quantia de dinheiro pagando a passagem dos imigrantes. Portanto, em 1893, o próprio estado de Minas passou a ficar encarregado de pagar a passagem integral de navio e, a partir de então, verifica-se um enorme crescimento do fluxo migratório para o estado. Contratos com particulares foram estipulados para garantir um fluxo contínuo de imigrantes. Em 1894 foi criada a Superintendência de Emigração na Europa, escritório este que tinha o objetivo de fazer propaganda na Itália para atrair imigrantes ao estado. A emigração em massa para Minas, porém, durou apenas até 1897, pois dificuldades financeiras obrigaram o estado a suspender a emigração subvencionada. A partir de então, a entrada de italianos cai drasticamente e os poucos que ainda entravam eram na maior parte atraídos por parentes já fixados no estado.[6] No ano de 1895, Minas recebeu apenas 4% dos imigrantes que entraram no Brasil, elevando-se para 14% em 1896 e a 12% em 1897, auge da imigração no estado. A partir de então, o estado fica fora dos destinos principais de imigrantes no Brasil. Os italianos aparecem sempre em primeiro lugar entre os imigrantes entrados no estado. Em um distante segundo lugar figuram os espanhóis, e em terceiro os portugueses.[16]

[editar]Perfil do imigrado em Minas

A maioria dos italianos vieram para Minas Gerais para trabalhar em fazendas de café.
O imigrante italiano normalmente vinha para Minas Gerais acompanhado de sua família (com uma média de 3 a 7 pessoas). Houve um ligeiro predomínio de homens e de pessoas solteiras (55,1%), seguidas por casadas (43,3%). O restante era viúvo. Ao contrário do que sucedeu no resto do País, onde predominou o imigrante miserável e analfabeto, o italiano nas Gerais era melhor instruído e mais rico. O italiano permanecia uma média de dez anos no campo e depois migrava para os centros urbanos, como Belo Horizonte e Juiz de Fora, em busca de melhores condições.[17]

[editar]Regiões de origem e identidade

A emigração italiana para o Brasil incluiu pessoas de diversas regiões da Itália, o mesmo se deu em Minas Gerais. Analisando os imigrantes que chegaram a Leopoldina, na zona da mata mineira, verificou-se que vieram de catorze regiões diferentes da Itália: LombardiaFriuli-Venezia GiuliaVênetoPiemonteEmília-Romanha,ToscanaÚmbriaMarcheAbruzzoCampâniaBasilicataCalábriaSicilia e Sardenha.[18]
Com base numa pesquisa que analisou as 183 personalidades italianas que dão nome a ruas e logradouros de Belo Horizonte, achou-se que 18,03% eram originários do Vêneto; Emília-Romagna, Lazio e Lombardia tiveram 11,48% cada, Campania e Toscana com 10,38% cada, Calábria com 9,29%, Piemonte com 7,65%, Trentino com 2,18%, Abruzzo, Marche e Sicília com 1,64% cada, Basilicata e Puglia com 1,09% cada e Sardenha com 0,55%. Os dados mostram a grande diversidade das origens dos imigrantes italianos em Minas Gerais embora, como na maior parte do Brasil, o Vêneto despontou como a região com maior número de imigrantes no estado. [19]
Essa diversidade de origens dos imigrantes refletia-se na própria identidade étnica que eles tinham. Não se pode falar de um grupo étnico italiano no Brasil no início da imigração, pois a Itália era um Estado recém-unificado, e os próprios imigrantes, assim que chegavam ao Brasil, tendiam a se identificar mais como pessoas oriundas de uma certa região italiana do que como sendo italianos. Os camponeses e outros extratos inferiores da sociedade italiana (que compunham o grosso dos imigrantes) pouco participaram do processo de unificação do País em finais do século XIX, e a sua consciência de grupo não ia além da área em que viviam. Os brasileiros, porém, desconheciam essas diferenças regionais na Itália e não faziam distinções entre os italianos. Portanto, quando chegavam ao Brasil, os imigrantes ainda tendiam a se identificar como pertencentes a um grupo regional da Península Itálica, porém, através do contato com brasileiros, que não distinguiam esses grupos e tratavam todos como sendo apenas italianos, a identidade regional foi enfraquecendo, sendo substituída por uma identidade nacional italiana.[20]
Imigração italiana para o Brasil (1876-1920)[21]
Região de OrigemNúmero de ImigrantesRegião de OrigemNúmero de Imigrantes
Vêneto365.710Sicília44.390
Campânia166.080Piemonte40.336
Calábria113.155Puglia34.833
Lombardia105.973Marche25.074
Abruzzo-Molise93.020Lácio15.982
Toscana81.056Úmbria11.818
Emília-Romagna59.877Ligúria9.328
Basilicata52.888Sardenha6.113
Total : 1.243.633

[editar]Casamentos e padrões de miscigenação

Os dados sobre casamentos de italianos em Belo Horizonte mostram que, inicialmente, eram altos os níveis de endogamia dessa comunidade, com uma alta tendência de italianos casarem entre si. No final do século XIX, 74% dos noivos e 95% das noivas casavam com pessoas nascidas na Itália. Esta tendência, porém, foi se dissipando com o decorrer dos anos. Duas décadas depois, apenas 20% dos noivos e 62% das noivas se casavam com compatriotas. Os dados mostram que, desde o início, a comunidade italiana em Belo Horizonte estava relativamente aberta a casamentos com brasileiros ou com imigrantes não italianos, tendência esta que foi se alargando com o decorrer dos anos. O ambiente urbano contribuía para isso, pois nas cidades os imigrantes estavam menos propensos a se fecharem dentro do seu grupo étnico. Ademais, a chegada de novos imigrantes cai drasticamente logo no início do século XX, diminuindo as oportunidades de casamento com outros italianos, o que também contribuiu para a menor incidência de prática de endogamia.[22]

[editar]Contribuição italiana para Minas Gerais

Os mineiros descendentes dos cerca de cinqüenta mil italianos que imigraram para as Minas Gerais em fins do século XIX rondam, atualmente, o número de 1,5 milhão, em torno de 7,5% da população do estado. A maior concentração de ítalo-mineiros se dá em Belo Horizonte, no Sul do estado e na Zona da Mata.[23] Os imigrantes e seus descendentes contribuíram ativamente para o desenvolvimento da agriculturaurbanização, da indústria, do comércio e da identidade cultural do estado, inclusive sendo fundadores do Cruzeiro Esporte Clube, antigo Palestra Itália, um dos maiores times de futebol da América do Sul. E em Betim, outra contibuição italiana: uma fábrica da montadora de automóveis Fiat está situada no município vizinho a Belo Horizonte, uma das maiores e mais importantes da empresa fora da Itália.

[editar]Ver também

Referências

  1.  http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/consnac/imigra/italiano/index.htm
  2.  O papel da migração internacional na evolução da população brasileira (1872 a 1972) (em portuguese) (2008). Página visitada em 2008-07-08.
  3.  http://www.culturabrasil.pro.br/abolicao.htm
  4.  http://quartacoloniaitaliana.vilabol.uol.com.br/causas_imigracao.html
  5.  http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/consnac/imigra/apresent/
  6. ↑ a b c Do Outro Lado do Atlântico - Um Século de Imigração Italiana no Brasil
  7.  IBGE.Brazilian Census of 1940.
  8.  http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/povoamento/index.html
  9.  http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/pdf/2002/GT_His_ST4_Botelho_texto.pdf
  10.  http://books.google.com.br/books?id=h3tvA1hKFz8C&pg=PA57&lpg=PA57&dq=o+brasil+n%C3%A3o+precisava+imigrantes+negros&source=bl&ots=CqPufBz4aJ&sig=a81QR0TveEhb5DKfq2h2bhGcODQ&hl=pt-BR&ei=JTyqTaepAuaF0QG105T5CA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CDoQ6AEwBQ#v=onepage&q=o%20brasil%20n%C3%A3o%20precisava%20imigrantes%20negros&f=false
  11.  [1]
  12. ↑ a b c d e f g h i j k Sob o céu de outra pátria (em portuguese) (2009). Página visitada em 2012-25-06.
  13.  Erro de citação Tag  inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas racial
  14.  http://www.cultura.mg.gov.br/?task=interna&sec=5&cat=18&con=790&all_not=y
  15.  Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE
  16.  http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/pdf/2002/GT_His_ST4_Botelho_texto.pdf
  17.  http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/pdf/2002/GT_His_ST4_Botelho_texto.pdf
  18.  italianos Barbacena
  19.  http://www.ponteentreculturas.com.br/revista/ Revista da Imigração Italiana em Minas
  20.  Espaços de ressignificação da identidade italiana na Província de Minas Gerais
  21.  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Região de Origem dos Imigrantes Italianos.
  22.  [2]
  23.  http://www.italiaoggi.com.br/migrazioni/noticias/migra_20061020a.htm
  24.  http://festaitalianabh.wordpress.com/page/2/

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